terça-feira, 20 de novembro de 2012

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Ano da França na China

O ano de 2012 é o ano da França na China. Para saber um pouco mais desta homenagem, ver o vídeo "Destination Francophonie: Chine" clicando aqui.

domingo, 9 de setembro de 2012

A Mudança

Estou no dia 9 de setembro. Foi um mês intenso em torno de uma solução que, finalmente, está próxima de se anunciar. Recebi hoje este vídeo cujo título é "The Shift". A frase que me cabe é de Lao-Tsé : "Permita-se deixar ser levado pela vida". Clique - aqui - para ver o vídeo.

sábado, 25 de agosto de 2012

Ideogramas chineses não são apropriados para mundo globalizado?!

Reproduzo, abaixo, matéria do Herald Tribune publicado no UOL no dia 25 de agosto de 2012. Particularmente, não concordo com a opinião dos ditos "especialistas". 

Ideogramas chineses não são apropriados para mundo globalizado, criticam especialistas

Quando cerca de 200 milhões de crianças chinesas entrarem na escola em 1º de setembro, uma tarefa grande – talvez a maior de todas – que enfrentarão será aprender 400 a 500 novos ideogramas chineses durante o próximo ano. O ano seguinte trará a mesma quantidade. É um desafio que todas as crianças se esforçam para superar, em vários níveis.
Talvez tolamente, esta semana tentei analisar meu filho, que não está muito ansioso para voltar à sua escola estadual de ensino fundamental em Pequim e para aqueles novos ideogramas. Os ideogramas chineses não têm pistas visuais para a pronúncia, o que significa que eles devem ser aprendidos individualmente, através da cópia repetitiva para construir a memória motora. Como Zhang Guangzhao, ex-professor de filosofia em Pequim e comentarista do site da Academia Chinesa de Ciências Sociais, escreveu num ensaio: “assim como as pessoas podem ouvir um som e não enxergá-lo, ver uma foto sem ouvi-la, nossos olhos e ouvidos não se encontram em chinês.”
“Pode ser divertido voltar às aulas”, disse para meu filho, com esperança. “Ver todos os seus amigos e tudo mais?”
“Mãe, aprender chinês nunca é divertido”, ele respondeu, desapaixonadamente.
Algumas pessoas, particularmente adultos, podem discordar disso, defendendo o prazer estético dos ideogramas e da rica cultura para a qual eles abrem as portas. E, apenas para esclarecer, eu concordaria em parte com a visão de que aprender a escrever chinês é prazeroso, tendo passado mais de duas décadas fazendo isso. Entretanto, também é difícil o processo circular de aprender, esquecer e reaprender. Como disse Zhang numa entrevista por telefone: “agora, posso escrever cerca de 3 mil caracteres.”
“O governo identifica 2.500 ideogramas de 'uso comum'”, diz ele, acrescentando que um acadêmico precisaria reconhecer mais, talvez em torno de 5 mil. “As pessoas podem escrever menos caracteres do que reconhecem, entretanto.”
Então a reação de meu filho chegou ao topo de uma questão séria: será que escrever em chinês é apropriado para um mundo globalizado e digitalizado
Wu Wenchao, que trabalhou como intérprete na ONU por 25 anos, acha que não é exatamente apropriado. Os ideogramas são “ineficientes e arcaicos”, escreveu ele num e-mail.
“A língua chinesa é difícil de aprender em comparação com as letras alfabéticas”, escreveu Wu.

“Os estudantes chineses trabalham duro e teriam que passar mais dois anos aprendendo para atingir o mesmo nível de um intelectual ocidental”, disse ele. E acrescentou: “a dificuldade de aprender é análoga a um longo tempo de inicialização na terminologia de computação, o que significa um atraso do sistema para se tornar operacional.”
As pessoas na China continental já usam o pinyin, um sistema romanizado introduzido pelo governo em 1950, para digitar em computadores e telefones celulares. Este é mais fácil, mas está reduzindo a capacidade de escrever os ideogramas, dizem especialistas.
Então será que não existe nenhuma tentativa de tornar o chinês escrito mais fácil, aumentando sua alfabetização, talvez adotando um sistema digráfico que inclui tanto ideogramas quanto um alfabeto baseado na fonética? Este território também é controverso. Pedidos para aumentar a alfabetização do chinês, além do limite do uso do pinyin, logo encontraram oposição na China por parte de pessoas comuns, funcionários e muitos acadêmicos.
Na Feira de Livros de Frankfurt em 2009, onde a China foi convidada de honra, eu testemunhei um momento revelador quando Wang Meng, ex-ministro chinês da cultura, declarou que a China deveria manter seus ideogramas “ou sua cultura seria extinta!”. Muitos jovens chineses na plateia se levantaram e aplaudiram com fervor.
Num argumento contra-intuitivo, Zhang acredita que o chinês não é de fato difícil para aprender, só é mal ensinado. Por milhares de anos, disse ele, acadêmicos e funcionários deliberadamente mistificaram o aprendizado para proteger seus privilégios.
A classe governante “não quer popularizar a cultura e transformá-la num tipo de recurso público compartilhado pelo povo”, escreveu em outro ensaio. “Eles consciente ou inconscientemente criaram um bloqueio para dificultar a aprendizagem.”
Esse legado permanece até hoje, acredita.
William C. Hannas, linguista e autor que fala ou escreve 10 línguas incluindo chinês, diz queo debate sobre passar para um sistema de escrita alfabetizado, que floresceu nos anos 50, está acabado.
“Não há debate na China – ou em nenhum lugar hoje em dia – sobre a reforma da escrita”, escreveu num e-mail. “Nós nos ressentimos quando nos pedem para abandonarmos uma tradição, ou quando ouvimos de um estrangeiro, especialmente, que uma parte de nossa identidade é falha.”
Entretanto, algo parecido como isso está acontecendo não oficialmente, diz ele.
Especialmente online, os chineses estão experimentando com o alfabeto romano: o governo, “zhengfu” em pinyin, costuma ser abreviado para “ZF”. Uma competição internacional é um “PK” (a partir da terminologia de videogames). Alterar digitalmente as imagens com um programa como o Photoshop é “PS”. Fazer amor é “ML”.
“Digrafia – a coexistência da escrita em ideogramas e a alfabética – está acontecendo na China não por causa de uma política de cima para baixo, mas inconscientemente, de baixo para cima”, escreve Hannas.
Num e-mail, Jiang Beining, um blogueiro que acredita que os ideogramas estão prendendo a China ao passado, tornando-a “não científica”, escreveu: “os caracteres são uma muralha invisível entre a China e o mundo.”
Para 200 milhões de crianças em idade escolar, inclusive meu filho, um ano de dura memorização está começando. É apenas um passo no caminho para se alfabetizar em chinês, mas também para conquistar uma bela língua.

Tradutor: Eloise De Vylder



quarta-feira, 18 de julho de 2012

18 de julho de 2012

Hoje é o Dia Internacional Nelson Mandela, instituído pela Assembleia Geral da ONU em 2009 em reconhecimento ao líder sul-africano por sua contribuição para a cultura da paz e da liberdade. Hoje, na data deste post, recebo a notícia de que fui o único Senior Scholar de todas as Américas selecionado pelo governo chinês para um período de pesquisa e estudos na China no âmbito do Programa OAS-China. "We can change the world and make it a better place. It is in your hands to make a difference" (Nelson Mandela).

quinta-feira, 12 de julho de 2012

The World



The World
Do diretor chinês Jia Zhangke. "Uma fábula sobre um casal que trabalha num parque temático que reproduz em menor escala, em Pequim, os grandes monumentos ao redor do mundo. O slogan do parque, "Conheça o mundo sem sair de Pequim", é o fio condutor de histórias pessoas de gente que nunca saiu de suas cidades e cujos poucos momentos de felicidade se resumem a uma noite de karaokê." Veja o trailer clicando aqui.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Chef brasileiro fazendo sucesso na China

Brasileiro é eleito melhor chef do ano na China. O nome do restaurante é "Thomazini Geraldo, Alameda" e se situa em Pequim. Para assistir a matéria, publicada no site do UOL, clique aqui.

Yu Fei Men - Happy Land

Ao ver este belíssimo vídeo da cidade de Shanguai (clique aqui) fiquei completamente encantado com a música que surge a partir dos 2m20s. Consegui achar o nome da música ao ler os comentários postados no YouTube. Eis então o vídeo da música da banda Yu Fei Men (foto ao lado), intitulada "Happy Land" (clique aqui para ver e ouvir).

terça-feira, 29 de maio de 2012

Política e doutorado: um novo modelo de liderança?

Segundo o China Daily, entre os membros da nova formação do Partido Comunista Chinês (CPC), mais de um quarto tem doutorado. Isto dá uma ideia da qualidade da nova elite política que emerge na China. Ainda segundo a matéria, "muitos dos líderes com doutorado também dão palestras em universidades ou realizam pesquisas em institutos". Clique aqui para ler a matéria completa.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Primeiro sinal positivo

Nesta segunda-feira, 21 de maio, recebi um e-mail da OAS-China Scholarships Program informando que meu nome está na "shortlist" de candidatos a serem considerados pelo governo da China para admissão ao programa. Ainda segundo os termos do e-mail "we are informing you about your status at this point so that you may begin to prepare for a possible change in your life plans in the near future, in case you are finally selected for the Program by the Government of China". Os prognósticos são positivos. 

sábado, 5 de maio de 2012

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O Verde e o Vermelho

Em janeiro de 2012, recebi do meu irmão, Marcelo Menezes de Carvalho, um e-mail informando o programa de bolsas do governo chinês em parceria com a OEA. Eu estava no Canadá e tinha acertado com os professores Jean-François Gaudreault-DesBiens e Guy Lefebvre a realização de um encontro trilateral Brasil-Canadá-China no Rio de Janeiro. Os meses de fevereiro e março foram praticamente dedicados à elaboração do projeto de pesquisa, tradução dos documentos e exames médicos solicitados pelo governo chinês. Enviei o pedido pelos correios (via Sedex Mundi) no dia 10 de abril de 2012. Na entrada, "memories of green"; na saída, "Mail from India". Recordei-me dos campos verdes que habitavam sonhos: o dos camponeses em tintas fortes coloridas que semeavam o verde após uma chuva sobre solo marrom e o do campo verde de uma única árvore frondosa cujo fruto era uma vida em gestação. Ao ouvir "Mail from India" recordei-me de dezembro de 2011. Novos ares se anunciavam após a cirurgia e a "China Tropical" de Gilberto Freyre - que, apesar do nome, tinha a Índia como país culturalmente influente no Brasil colônia - instigava meus pensamentos. Aparentemente o título do livro seria impreciso. Mas é do Oriente que guardamos uma tradição atualmente oculta e talvez ainda presente no inconsciente dos nossos gostos populares. É preciso saber ver. O verde e o vermelho. Ainda encontrarei a relação entre estas duas cores (lembro-me neste instante do "VV" de VVandro - nome de fantasia em alusão a uma brincadeira de amigos relacionada à arte). Da união destas duas cores nasce o marrom, o castanho, cor de terra e de madeira. Carvalho. Agora é aguardar.

sábado, 10 de março de 2012

O "Livro Branco" Chinês

O Livro Branco do Desenvolvimento Pacífico Chinês é leitura obrigatória para os analistas dos discursos diplomáticos que queiram compreender a direção da política externa chinesa. O documento evidencia que o caminho a ser seguido pela China para o seu desenvolvimento é o da ascensão pacífica: “a China deve desenvolver-se por meio da paz mundial e contribuir com ela através do seu próprio desenvolvimento. Deve alcançar o desenvolvimento com seus esforços próprios e por meio da reforma e inovação. Ao mesmo tempo, deve abrir-se e aprender com outros países. [...] Deve trabalhar junto a outras nações a fim de construir um mundo harmonioso de paz durável e prosperidade comum. Este é o caminho de desenvolvimento científico, independente, aberto, pacífico, cooperativo e comum”. O sublinhado é nosso. Esta parece ser, para nós, a chave de uma política externa inovadora neste século XXI. Para acesso ao texto completo "China's Peaceful Development", clique aqui.

segunda-feira, 5 de março de 2012

PinYin é a Ponte

Criado em 1950 por Zhou Youguang (foto), o PinYin foi adotado no currículo das escolas chinesas em 1958. Uma versão revisada do PinYin foi adotada como padrão internacional em 1982. Segundo Zhou, "Pinyin é como uma espécie de 'abre-te sésamo', abrindo as portas. O sistema é uma ponte entre a China e o resto do mundo". Leia a matéria completa clicando aqui.
O criador do PinYin, Zhou Youguang.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Emb. Clodoaldo Hugueney e a China


Ontem (28/02/2012) fui assistir a palestra do Embaixador Clodoaldo Hugueney, na FAAP em São Paulo, sobre o tema “Uma visão da China e das relações sino-brasileiras”. O evento foi promovido pelo Conselho Empresarial Brasil-China (www.cebc.org.br). O Brasil encara positivamente a relação com a China. Percebi que o embaixador tem uma compreensão das sutilezas que envolve a cultura chinesa, ainda que não as domine totalmente. Mas a compreensão, em si mesma, de que é preciso ter abertura para se compreender o que é diferente, já demonstra uma maturidade que é pressuposto para a as relações sino-brasileiras. O Embaixador tratou da transição política e econômica na China e, ao final, abordou as relações sino-brasileiras. A política de reforma "controlada" dominou a palestra. Ao concluir sua exposição, manifestou brevemente qual o lugar da academia: desvendar e disseminar a cultura chinesa a fim de auxiliar diplomatas e empresários a se relacionar com os chineses. Valeu a pena. 

Segue uma entrevista que o Embaixador Hugueney deu ao China Daily, veiculada no You Tube (Clique aqui) e outra divulgada no site Global 21 (clique aqui).

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Sobre o comércio Brasil-China

O Brasil criou em 2011 uma força tarefa no âmbito da subsecretaria de assuntos econômicos e financeiros do Itamaraty, sob o comando do embaixador Waldemar Carneiro Leão, com o objetivo de monitorar o desenvolvimento das relações economico-comerciais com a China e oferecer sugestões para a ampliação comercial “para além da complementaridade” , ou seja, fazer um esforço de diversificação da pauta exportadora e melhor conteúdo do comércio.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Arquiteturas modernas na China


O Piano House localizado na província de Hui, na China, é o centro de estudos musicais da Universidade local, em Huainan City.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

COSBAN : Brasil, China e as novas oportunidades



O Vice-Presidente da República, Michel Temer, e o Vice-Primeiro-Ministro do Conselho de Estado da República Popular da China, Wang Qishan, realizaram declaração à imprensa após encontro por ocasião da II Reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação — COSBAN, no Palácio Itamaraty, em 13 de fevereiro de 2012. Uma reunião que me pareceu produtiva pelo extenso rol de iniciativas conjuntas acertadas pelos dois países. Bravo! O Brasil precisa estabelecer uma relação de parceria e soberana com a China. Tal iniciativa aponta para o futuro envolvendo duas grandes nações: uma nova e outra milenar. Ambas com muito potencial para fazer a história do Século XXI. Clique aqui para assistir ao vídeo.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Aprendendo com os "hanzi"

1) Tornar-se um "rei" (wang) resulta do "fazer" (gàn) o "trabalho" (gong). E "rei" é aquele que é "dono" (zhu rén) de si mesmo. E para ser "dono" (zhu rén) é preciso "fazer" (gàn) o "trabalho" (gong).

2) Uma "pessoa" (rén) para se tornar "grande" (dá), "demais" (tài), deve saber usar a "cabeça" (tóu) para não ter uma "cabeça cheia de preocupação" (tóu dà).

3) Para se fazer o um bom "negócio/comércio" (mai mài) observe o seguinte: ao "comprar" (mai), use a "cabeça" (tóu); para "vender" (mài) multiplique por "dez" (shi).

4) "Lua" (yüè) "brilhante" (ming) anuncia um "dia" (tian) "branco" (bái) para "amanhã" (ming tián).

O corpo como escrita da alma

Ao retomar os estudos do mandarim e da aprendizagem dos "hanzi" pergunto-me se nas danças e artes maciais chinesas os braços e as mãos não seriam como pincéis a desenhar no ar, com os gestos, as palavras e os seus significados, transmitindo com o movimentos dos corpos um símbolo que ultrapassa a própria palavra. O corpo como escrita da alma. Encontrei um vídeo interessante no YouTube cujas primeiras imagens podem alimentar esta ideia. Clique aqui

domingo, 8 de janeiro de 2012

Shen Yun Performing Arts

Montreal, 8 de janeiro de 2012. Um cidade marcada por uma intensa diversidade cultural. Hoje, assisti uma apresentação do Shen Yun Performing Arts na Place des Arts. "ShenYun" significa "compaixão, beleza sublime dos reinos celestiais". Na dança clássica chinesa, segundo expresso no folder da companhia, encontramos as profundas tradições culturais da China. Chamou-me atenção o fato de que esta companhia é baseada em Nova Iorque. Segundo a apresentadora explicou, eles se apresentam em várias partes do mundo, exceto na China. As apresentações mesclavam dança e contavam alguma história. Quase todas envolviam um embate entre o bem e o mal. E em duas delas, havia um embate com forças supostamente repressoras do poder estabelecido. Notava-se que nas costas do figurino dos bailarinos que representavam a força "repressora" havia o símbolo do comunismo, uma grande foice e martelo.

O último dançarino de Mao

Na primeira semana de janeiro de 2012 assisti ao filme "O último dançarino de Mao" (Mao's Last Dancer). O filme, baseado em fatos reais, conta a história do bailarino Li Cunxin que, aos 10 anos de idade, foi retirado do convívio de sua família na pobre província de Shandong para tornar-se um dançarino em Pequim. Li cumpre as suas atividades na escola de dança com muita determinação e pouco entusiasmo. A oportunidade de poder ir aos EUA trabalhar numa companhia de dança no Texas muda o seu destino. Entre a fidelidade ao seu país de origem e às suas paixões pessoais, Li opta por seguir esta última opção mas sem jamais perder de vista o seu passado. Os dilemas pessoais decorrentes da imigração, o embate entre dois grandes países como pano de fundo e mesmo as transformações políticas na própria China de Den Xiaoping são apenas o pano de fundo quase imperceptível de um filme que não retira o foco da câmera do personagem principal. Acesse o trailer do filme clicando aqui.

domingo, 1 de janeiro de 2012

No mês de dezembro de 2011, li o livro "China Tropical" que reúne textos de Gilberto Freyre sobre a influência do Oriente no Brasil dos séculos XVII a XVIII antes de ser "acizentado" pelo capitalismo industrial britânico. "Pois o que parece é que, ao findar o século XVIII e ao principiar o XIX, em nenhuma outra área americana o palanquim, a esteira, a quitanda, o chafariz, o fogo de vista, a telha côncava, o banguê, a rótula ou gelosia de madeira, o xale e o turbante de mulher, a casa caiada de branco ou pintada de cor viva e em forma de pagode, as pontes de beiral de telhado arrebitadas em cornos de lua, o azulejo, o coqueiro e a mangueira da Índia, a elefantíase dos árabes, o cuscuz, o alfeolo, o alfenim, o arroz-doce com canela, o cravo das Molucas, a canela de Ceilão, a pimenta de Cochim, o chá da China, a cânfora de Bornéu, a muscadeira de Bandu, a fazenda e a louça da China e da Índia, os perfumes do Oriente, haviam se aclimado com o mesmo à vontade que no Brasil; e formado com valores indígenas, europeus e de outras procedências o mesmo conjunto simbiótico de natureza e cultura que chegou a formar no nosso país. É como se ecologicamente o nosso parentesco fosse antes com o Oriente do que com o Ocidente..." (China Tropical: e outros escritos sobre a influência do Oriente na cultura luso-brasileira. 2a ed. São Paulo: Global, 2011, p. 38).

"Oriente", um heterônimo?

Uma folha de mim lança para o Norte,
Onde estão as cidades de Hoje que eu tanto amei;
Outra folha de mim lança para o Sul,
Onde estão os mares que os Navegadores abriram;
Outra folha minha atira ao Ocidente,
Onde arde ao rubro tudo o que talvez seja o Futuro,
Que eu sem conhecer adoro;
E a outra, as outras, o resto de mim
Atira ao Oriente,
Ao Oriente donde vem tudo, o dia e a fé,
Ao Oriente pomposo e fanático e quente,
Ao Oriente excessivo que eu nunca verei,
Ao Oriente budista, bramânico, sintoísta,
Ao Oriente que é tudo o que nós não temos,
Que é tudo o que nós não somos [...]

Obras completas de Fernando Pessoa
Poesias de Álvaro de Campos
"Dois excerptos de odes"