domingo, 1 de janeiro de 2012

No mês de dezembro de 2011, li o livro "China Tropical" que reúne textos de Gilberto Freyre sobre a influência do Oriente no Brasil dos séculos XVII a XVIII antes de ser "acizentado" pelo capitalismo industrial britânico. "Pois o que parece é que, ao findar o século XVIII e ao principiar o XIX, em nenhuma outra área americana o palanquim, a esteira, a quitanda, o chafariz, o fogo de vista, a telha côncava, o banguê, a rótula ou gelosia de madeira, o xale e o turbante de mulher, a casa caiada de branco ou pintada de cor viva e em forma de pagode, as pontes de beiral de telhado arrebitadas em cornos de lua, o azulejo, o coqueiro e a mangueira da Índia, a elefantíase dos árabes, o cuscuz, o alfeolo, o alfenim, o arroz-doce com canela, o cravo das Molucas, a canela de Ceilão, a pimenta de Cochim, o chá da China, a cânfora de Bornéu, a muscadeira de Bandu, a fazenda e a louça da China e da Índia, os perfumes do Oriente, haviam se aclimado com o mesmo à vontade que no Brasil; e formado com valores indígenas, europeus e de outras procedências o mesmo conjunto simbiótico de natureza e cultura que chegou a formar no nosso país. É como se ecologicamente o nosso parentesco fosse antes com o Oriente do que com o Ocidente..." (China Tropical: e outros escritos sobre a influência do Oriente na cultura luso-brasileira. 2a ed. São Paulo: Global, 2011, p. 38).

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