Montreal, 8 de janeiro de 2012. Um cidade marcada por uma intensa diversidade cultural. Hoje, assisti uma apresentação do Shen Yun Performing Arts na Place des Arts. "ShenYun" significa "compaixão, beleza sublime dos reinos celestiais". Na dança clássica chinesa, segundo expresso no folder da companhia, encontramos as profundas tradições culturais da China. Chamou-me atenção o fato de que esta companhia é baseada em Nova Iorque. Segundo a apresentadora explicou, eles se apresentam em várias partes do mundo, exceto na China. As apresentações mesclavam dança e contavam alguma história. Quase todas envolviam um embate entre o bem e o mal. E em duas delas, havia um embate com forças supostamente repressoras do poder estabelecido. Notava-se que nas costas do figurino dos bailarinos que representavam a força "repressora" havia o símbolo do comunismo, uma grande foice e martelo.
domingo, 8 de janeiro de 2012
O último dançarino de Mao
Na primeira semana de janeiro de 2012 assisti ao filme "O último dançarino de Mao" (Mao's Last Dancer). O filme, baseado em fatos reais, conta a história do bailarino Li Cunxin que, aos 10 anos de idade, foi retirado do convívio de sua família na pobre província de Shandong para tornar-se um dançarino em Pequim. Li cumpre as suas atividades na escola de dança com muita determinação e pouco entusiasmo. A oportunidade de poder ir aos EUA trabalhar numa companhia de dança no Texas muda o seu destino. Entre a fidelidade ao seu país de origem e às suas paixões pessoais, Li opta por seguir esta última opção mas sem jamais perder de vista o seu passado. Os dilemas pessoais decorrentes da imigração, o embate entre dois grandes países como pano de fundo e mesmo as transformações políticas na própria China de Den Xiaoping são apenas o pano de fundo quase imperceptível de um filme que não retira o foco da câmera do personagem principal. Acesse o trailer do filme clicando aqui.
domingo, 1 de janeiro de 2012
No mês de dezembro de 2011, li o livro "China Tropical" que reúne textos de Gilberto Freyre sobre a influência do Oriente no Brasil dos séculos XVII a XVIII antes de ser "acizentado" pelo capitalismo industrial britânico. "Pois o que parece é que, ao findar o século XVIII e ao principiar o XIX, em nenhuma outra área americana o palanquim, a esteira, a quitanda, o chafariz, o fogo de vista, a telha côncava, o banguê, a rótula ou gelosia de madeira, o xale e o turbante de mulher, a casa caiada de branco ou pintada de cor viva e em forma de pagode, as pontes de beiral de telhado arrebitadas em cornos de lua, o azulejo, o coqueiro e a mangueira da Índia, a elefantíase dos árabes, o cuscuz, o alfeolo, o alfenim, o arroz-doce com canela, o cravo das Molucas, a canela de Ceilão, a pimenta de Cochim, o chá da China, a cânfora de Bornéu, a muscadeira de Bandu, a fazenda e a louça da China e da Índia, os perfumes do Oriente, haviam se aclimado com o mesmo à vontade que no Brasil; e formado com valores indígenas, europeus e de outras procedências o mesmo conjunto simbiótico de natureza e cultura que chegou a formar no nosso país. É como se ecologicamente o nosso parentesco fosse antes com o Oriente do que com o Ocidente..." (China Tropical: e outros escritos sobre a influência do Oriente na cultura luso-brasileira. 2a ed. São Paulo: Global, 2011, p. 38).
"Oriente", um heterônimo?
Uma folha de mim lança para o Norte,
Onde estão as cidades de Hoje que eu tanto amei;
Outra folha de mim lança para o Sul,
Onde estão os mares que os Navegadores abriram;
Outra folha minha atira ao Ocidente,
Onde arde ao rubro tudo o que talvez seja o Futuro,
Que eu sem conhecer adoro;
E a outra, as outras, o resto de mim
Atira ao Oriente,
Ao Oriente donde vem tudo, o dia e a fé,
Ao Oriente pomposo e fanático e quente,
Ao Oriente excessivo que eu nunca verei,
Ao Oriente budista, bramânico, sintoísta,
Ao Oriente que é tudo o que nós não temos,
Que é tudo o que nós não somos [...]
Obras completas de Fernando Pessoa
Poesias de Álvaro de Campos
"Dois excerptos de odes"
Onde estão as cidades de Hoje que eu tanto amei;
Outra folha de mim lança para o Sul,
Onde estão os mares que os Navegadores abriram;
Outra folha minha atira ao Ocidente,
Onde arde ao rubro tudo o que talvez seja o Futuro,
Que eu sem conhecer adoro;
E a outra, as outras, o resto de mim
Atira ao Oriente,
Ao Oriente donde vem tudo, o dia e a fé,
Ao Oriente pomposo e fanático e quente,
Ao Oriente excessivo que eu nunca verei,
Ao Oriente budista, bramânico, sintoísta,
Ao Oriente que é tudo o que nós não temos,
Que é tudo o que nós não somos [...]
Obras completas de Fernando Pessoa
Poesias de Álvaro de Campos
"Dois excerptos de odes"
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